Talvez a palavra que melhor defina o indefinível Augusto dos Anjos seja frustração. Embora tenha vivido em um período em que as vanguardas literárias do séc. XIX eclodiam e confluíam umas com as outras, o poeta não pode ser rotulado de parnasiano, apesar de que a maioria dos poemas de sua única obra, Eu (1912), sejam sonetos, forma poética muito cultivada durante o Parnasianismo; Augusto dos Anjos também não se enquadra ao Naturalismo, a despeito do cientificismo dos vocábulos presentes em seus poemas, além do realismo cru com que o poeta descrevia o seu universo; Sua obra também não pode ser classificada de Simbolista, embora Augusto recorresse ao misticismo e a musicalidade, característica do movimento surgido na França, cujos principais representantes eram Baudelaire, Rimbaud, Verlaine e Mallarmé.
Para compreender o deslocamento do poeta em relação à época em que viveu, convencionou-se enquadrá-lo ao Pré-Modernismo, apesar de sua obra colidir com as características e ideais nacionalistas do movimento, além de não contribuir nas inovações formais que caracterizaram o Pré-Modernismo.
Augusto dos Anjos é o poeta da frustração, dos sonhos perdidos, da desesperança, da descrença na humanidade. Ele é “aquele que ficou sozinho, cantando sobre os ossos do caminho a poesia de tudo quanto é morto”, como definiu a si mesmo em “O Poeta do Hediondo”, soneto presente em Eu, publicado em 1912. Farei uma breve análise do soneto “Agonia de um filósofo”, o segundo poema de Eu e outras poesias.
AGONIA DE UM FILÓSOFO
Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo...
O Inconsciente me assombra e eu nele rolo
Com a eólica fúria do harmatã inquieto!
Assisto agora à morte de um inseto!...
Ah! todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo a pólo
O ideal do Anaximandro de Mileto!
No hierático areópago heterogêneo
Das idéias, percorro como um gênio
Desde a alma de Haeckel à alma cenobial!...
Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo igual a Goethe, reconheço
O império da substância universal!
(ANJOS, 2004, p. 37)
A presença de vocábulos estrangeiros, neste caso, nomes próprios, bem como a freqüência de termos filosóficos e científicos marca a obra de Augusto dos Anjos. Temos diante de nós: Phtah-Hotep, o sábio egípcio, Rig-Veda, livros de sabedoria dos hindus, Anaximandro de Mileto, filósofo grego, Haeckel, cientista, e Goethe, um dos maiores pensadores da história da humanidade. O eu - lírico afirma que todo o saber proveniente dessa verdadeira “enciclopédia do conhecimento” é tão vazio quanto sua própria filosofia.
“Consulto o Phtah-Hotep. Leio o obsoleto
Rig-Veda. E, ante obras tais, me não consolo...”
“Rasgo dos mundos o velário espesso;
E em tudo igual a Goethe, reconheço
O império da substância universal!”
O “velário espesso” pode ser interpretado como o “véu de maia” do hinduísmo de que Schopenhauer fala em O Mundo como Vontade e Representação, a respeito da representação (o mundo dos fenômenos) que encobre a essência das coisas, a Vontade. Basta lembrar que o poeta teve contato com a obra do genial filósofo alemão, como podemos encontrar nos versos de “O Meu Nirvana”:
“Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!”
(ANJOS, 2004, p. 128-129)
O filósofo do título do soneto é ele mesmo, Augusto dos Anjos. Só que ao contrário da intenção de transcendência da filosofia (amar o saber), o filósofo se dá conta da sua insuficiência diante da incompreensão do mundo, e a ânsia pelo absoluto fracassa na limitação do ser humano, como se o verdadeiro conhecimento fosse inalcançável ao homem, constatação de Kant em Crítica da Razão Pura. É da incapacidade, da limitação, do fato do homem ser um Deus acorrentado a um corpo que apodrece (Becker), do simples fato de o homem ser mortal, ser-apenas-humano, e não intelecto puro, é que nasce a agonia. O homem pensa, o homem é quase um Deus, mas ele sofre por estar preso pelas barreiras do “quase”, sofre porque pensa e, pelo fato de pensar, sabe que vai morrer.
“O Inconsciente me assombra e eu nele rolo
Com a cólica fúria do harmatã inquieto!”
As descobertas da psicanálise a respeito dos mecanismos do subconsciente, por Sigmund Freud, são contemporâneas às inquietações do poeta, bem como a teoria de Ernst Haeckel de que aquilo que entendemos por viver, ou seja, a vida, não passa de fenômenos químicos, como a combustão do carbono. “Então era isso a vida?”, como disse Nietzsche. Augusto dos Anjos não se conforma com isso. Como pode a vida originar-se do fenômeno químico, se a essência da vida é em-si, e os fenômenos são para-si? Há uma causa primeira para todas as coisas, pois “do nada nada vem”. Este, aliás, é o axioma do pré-socrático Anaximandro de Mileto.
“Ah! todos os fenômenos do solo
Parecem realizar de pólo a pólo
O ideal do Anaximandro de Mileto!”
Para o filósofo, o princípio universal é uma substância indefinida, o ápeiron (ilimitado). Deste ápeiron, infinito, eterno, em movimento perpétuo e dotado de vida e imortalidade derivam os diferentes corpos por um processo de separação. Em suma, tudo deriva de uma mesma matéria, tudo seria, nos termos de Schopenhauer, Vontade, ou seja, um querer cego e irracional e sem qualquer finalidade é o princípio de todas as coisas. No princípio era o caos, como pensavam os gregos antigos. Para Augusto dos Anjos, o fim também será assim.
REFERÊNCIAS:
ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. São Paulo: Martin Claret, 2004.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
O LUCRO DE UNS É O PREJUÍZO DE OUTROS
“O ateniense Demades condenou um homem de sua cidade, cujo ofício era vender as coisas necessárias para os enterros, sob o pretexto de que seu comércio queria tirar demasiado proveito e de que tal lucro não podia ser alcançado sem a morte de muitas pessoas. Essa sentença me parece errada, tanto mais, porque nenhum proveito nem vantagem se alcançam sem o prejuízo dos demais; segundo esse juízo havia de se condenar, como ilegítimas, todo tipo de ganâncias; o lavrador se aproveita da falta do trigo; o arquiteto, da destruição das construções; os procuradores de justiça, dos litígios processuais que constantemente têm lugar entre os homens; a própria honra e prática dos representantes da religião deve-se a nossa morte e aos nossos vícios; a nenhum médico lhe é agradável sequer a saúde de seus próprios amigos, disse um autor cômico grego, nem a nenhum soldado o sossego de sua cidade, e assim sucessivamente. Pode-se acrescentar ainda: examine a cada um nos desejos mais recônditos de seu espírito, e encontrará que nossos mais íntimos desejos, na maioria dos casos, nascem e se alimentam a custa de nossos semelhantes. Tudo isto considerado, convenço-me de que a natureza não se contradiz neste ponto em seu progresso geral, pois os naturalistas asseguram que o nascimento, nutrição e multiplicação de cada coisa tem sua origem na putrefação e destruição de outra.”
REFERÊNCIAS:
Ensaios, de Michel de Montaigne. Tradução livre da edição espanhola
REFERÊNCIAS:
Ensaios, de Michel de Montaigne. Tradução livre da edição espanhola
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
AS ROSAS DO CUME, Laurindo Rabelo
No cume da minha serra
Eu plantei uma roseira,
Quanto mais as rosas brotam
Tanto mais o cume cheira.
À tarde, quando o sol posto,
E o vento no cume adeja,
Vem travessa borboleta,
E as rosas o cume beija.
No tempo das invernadas,
Que as plantas do cume lavam,
Quanto mais molhadas eram
Tanto mais no cume davam.
Mas se as águas vêm correntes,
E o sujo do cume limpam,
Os botões do cume abrem,
As rosas do cume grimpam.
Tenho, pois, certeza gora
Que no tempo de tal regra,
Arbusto por mais cheiroso
Plantado no cume pega.
Ah! Porém o sol brilhante
Seca logo a catadupa;
O calor que a terra abrasa
As águas do cume chupa!
Eu plantei uma roseira,
Quanto mais as rosas brotam
Tanto mais o cume cheira.
À tarde, quando o sol posto,
E o vento no cume adeja,
Vem travessa borboleta,
E as rosas o cume beija.
No tempo das invernadas,
Que as plantas do cume lavam,
Quanto mais molhadas eram
Tanto mais no cume davam.
Mas se as águas vêm correntes,
E o sujo do cume limpam,
Os botões do cume abrem,
As rosas do cume grimpam.
Tenho, pois, certeza gora
Que no tempo de tal regra,
Arbusto por mais cheiroso
Plantado no cume pega.
Ah! Porém o sol brilhante
Seca logo a catadupa;
O calor que a terra abrasa
As águas do cume chupa!
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
A MORTE DO CINEMA
As discussões sobre a “literatura culta” e a “literatura de massa” têm sido levantadas desde a primeira metade do século XIX. O cinema, cujo caminho per aspera ad astra só foi consolidado a partir da década de 1950, com a revista Cahiers du Cinéma e a ascensão do cinema europeu pós-guerra, está novamente tendo de provar o seu valor frente às novidades tecnológicas e a banalização do conceito de arte.
Adorno foi um crítico feroz da chamada sétima arte, afirmando que
“O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles se definem a si mesmos como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos.” (p. 57)
Com dor no coração os cinéfilos têm de concordar com o mestre de Frankfurt, pois se compararmos, por exemplo, o “lixo em película” que produzem estúdios como Miramax, Dreamworks, Warner Bros., Universal e Paramount com a arte verdadeira, teremos de admitir que o cinema não é arte. Adorno, após assistir a filmes de Chaplin e Antonioni, atenuou o seu discurso exacerbado contra o cinema, mas se ele ainda estivesse vivo para assistir a lixos como Quarteto Fantástico, As Crônicas de Nárnia, X-Men, Hulk, 300, a série sem fim dos filmes do Homem-Aranha, Todo Mundo em Pânico, as comédias românticas estreladas por Mark Ruffalo, Ashton Kutcher e Jennifer Anniston, as imbecis comédias de Rob Schneider, Adam Sandler, Irmãos Wayans e Cia., os filmes de terror importados do Japão (onde o único conteúdo é o banho de sangue e as vísceras mutiladas), os épicos pseudo-históricos de Kevin Costner, Mel Gibson e Oliver Stone, entre tantas outras bobagens que o cinema hollywoodiano produziu nas últimas décadas.
A derrocada da arte cinematográfica foi inaugurada com Guerra nas Estrelas e o “show de efeitos especiais”, porque, desde esse produto industrial (não filme), tudo quanto aconteceu foi meramente produto de consumo para um público desprovido de qualquer senso estético e intelectual. O que Adorno diz a respeito dos filmes de Hollywood da década de 30 e 40 é perfeitamente adequado ao que acontece nos nossos dias. É o eterno retorno da mediocridade. Segundo Adorno
“Cada filme é um trailer do filme seguinte, que promete reunir mais uma vez sob o mesmo sol exótico o mesmo par de heróis; o retardatário não sabe se está assistindo ao trailer ou ao filme mesmo. O caráter de montagem da indústria cultural, a fabricação sintética e dirigida de seus produtos, que é industrial não apenas no estúdio – cinematográfico, mas também (pelo menos virtualmente) na compilação das biografias baratas, romances-reportagem e canções de sucesso, já estão adaptados de antemão à publicidade: na medida em que cada elemento se torna separável, fundível e também tecnicamente alienado à totalidade significativa, ele se presta a finalidades exteriores à obra. O efeito, o truque, cada desempenho isolado e receptível foram sempre cúmplices da exibição de mercadorias para fins publicitários, e atualmente todo close de uma atriz de cinema serve de publicidade de seu nome, todo sucesso tornou-se um plug de sua melodia. Tanto técnica quanto economicamente, a publicidade e a indústria cultural se confundem.” (P. 77)
A publicidade, menina dos olhos do capitalismo medíocre, é, indubitavelmente, a cafetina cultural, uma espécie de prostituta que corrompe àqueles que têm ânsia de fama e do sucesso, os quais são conseqüência da própria publicidade, uma filha prostituída da burguesia tardia. Trata-se de um círculo vicioso sem esperança de salvação, haja vista que quem não se submete a esse lucrativo pacto com o demônio terá de vender a alma por uma esmola.
Contudo, “o cinema de arte” dá, heroicamente, os seus últimos suspiros no circuito independente, ao produzir filmes herméticos e desprovidos de qualquer narrativa (como se contar uma história fosse um pecado capital), na tentativa de tirar do coma um paciente que cansou de lutar contra si mesmo, contra sua própria natureza. Nas cerimônias do Oscar, assistimos aos filmes pseudo-artísticos como: Adaptação, Billy Elliot, Desejo e Reparação, Milk, etc. O único mérito destes filmes é não ter o mesmo público de As Branquelas, porque o máximo que o espectador vai levar para a casa é uma enxaqueca ou uma indigestão. Os chamados filmes americanos de arte do século XXI conseguem ser mais chatos e indigestos do que uma aula de gramática da língua portuguesa sobre as Orações Subordinadas Substantivas Objetivas Diretas e Indiretas, independente de quem seja o professor. E os vencedores em Veneza e em Cannes, então?
Creio que o falecimento, em 2007, de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni tem um significado simbólico: a morte do cinema, da arte cinematográfica. Ora, morreram na década de 70: Visconti, Fitz Lang, Renoir, Rossellini e Pasolini; na década de 80, Welles, Hitchcock, Truffaut, Buñuel e Tarkovski; e, na década de 90, Kubrick, Fellini, David Lean e Kurosawa. Não quero agourar ninguém, mas depois que Godard, Resnais e Woody Allen morrerem, quem representará o cinema? Martin Scorsese? Francis Ford Coppola? Almodóvar ou Steven Spielberg? Não, nenhum desses é digno de representar a arte de Chaplin e Bergman. Diante disto, cabe a constatação: O cinema morreu, e foi a mesma burguesia que o criou que o matou! Quer dizer, não a mesma... Daquela nasceu o cinema, da de hoje não vale a pena enumerar um a um, seriam necessárias horas até que eu termine... E Eu já estou farto deste velório. Fica somente a saudade, assistindo, no meu DVD, a filmes como Aurora, A Doce Vida, A Regra do Jogo, Crepúsculo dos Deuses... O resto é silêncio.
REFERÊNCIAS
ADORNO, THEODOR & HORKHEIMER, MAX. A DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO. VERSÃO E-BOOK.
Adorno foi um crítico feroz da chamada sétima arte, afirmando que
“O cinema e o rádio não precisam mais se apresentar como arte. A verdade de que não passam de um negócio, eles a utilizam como uma ideologia destinada a legitimar o lixo que propositalmente produzem. Eles se definem a si mesmos como indústrias, e as cifras publicadas dos rendimentos de seus diretores gerais suprimem toda dúvida quanto à necessidade social de seus produtos.” (p. 57)
Com dor no coração os cinéfilos têm de concordar com o mestre de Frankfurt, pois se compararmos, por exemplo, o “lixo em película” que produzem estúdios como Miramax, Dreamworks, Warner Bros., Universal e Paramount com a arte verdadeira, teremos de admitir que o cinema não é arte. Adorno, após assistir a filmes de Chaplin e Antonioni, atenuou o seu discurso exacerbado contra o cinema, mas se ele ainda estivesse vivo para assistir a lixos como Quarteto Fantástico, As Crônicas de Nárnia, X-Men, Hulk, 300, a série sem fim dos filmes do Homem-Aranha, Todo Mundo em Pânico, as comédias românticas estreladas por Mark Ruffalo, Ashton Kutcher e Jennifer Anniston, as imbecis comédias de Rob Schneider, Adam Sandler, Irmãos Wayans e Cia., os filmes de terror importados do Japão (onde o único conteúdo é o banho de sangue e as vísceras mutiladas), os épicos pseudo-históricos de Kevin Costner, Mel Gibson e Oliver Stone, entre tantas outras bobagens que o cinema hollywoodiano produziu nas últimas décadas.
A derrocada da arte cinematográfica foi inaugurada com Guerra nas Estrelas e o “show de efeitos especiais”, porque, desde esse produto industrial (não filme), tudo quanto aconteceu foi meramente produto de consumo para um público desprovido de qualquer senso estético e intelectual. O que Adorno diz a respeito dos filmes de Hollywood da década de 30 e 40 é perfeitamente adequado ao que acontece nos nossos dias. É o eterno retorno da mediocridade. Segundo Adorno
“Cada filme é um trailer do filme seguinte, que promete reunir mais uma vez sob o mesmo sol exótico o mesmo par de heróis; o retardatário não sabe se está assistindo ao trailer ou ao filme mesmo. O caráter de montagem da indústria cultural, a fabricação sintética e dirigida de seus produtos, que é industrial não apenas no estúdio – cinematográfico, mas também (pelo menos virtualmente) na compilação das biografias baratas, romances-reportagem e canções de sucesso, já estão adaptados de antemão à publicidade: na medida em que cada elemento se torna separável, fundível e também tecnicamente alienado à totalidade significativa, ele se presta a finalidades exteriores à obra. O efeito, o truque, cada desempenho isolado e receptível foram sempre cúmplices da exibição de mercadorias para fins publicitários, e atualmente todo close de uma atriz de cinema serve de publicidade de seu nome, todo sucesso tornou-se um plug de sua melodia. Tanto técnica quanto economicamente, a publicidade e a indústria cultural se confundem.” (P. 77)
A publicidade, menina dos olhos do capitalismo medíocre, é, indubitavelmente, a cafetina cultural, uma espécie de prostituta que corrompe àqueles que têm ânsia de fama e do sucesso, os quais são conseqüência da própria publicidade, uma filha prostituída da burguesia tardia. Trata-se de um círculo vicioso sem esperança de salvação, haja vista que quem não se submete a esse lucrativo pacto com o demônio terá de vender a alma por uma esmola.
Contudo, “o cinema de arte” dá, heroicamente, os seus últimos suspiros no circuito independente, ao produzir filmes herméticos e desprovidos de qualquer narrativa (como se contar uma história fosse um pecado capital), na tentativa de tirar do coma um paciente que cansou de lutar contra si mesmo, contra sua própria natureza. Nas cerimônias do Oscar, assistimos aos filmes pseudo-artísticos como: Adaptação, Billy Elliot, Desejo e Reparação, Milk, etc. O único mérito destes filmes é não ter o mesmo público de As Branquelas, porque o máximo que o espectador vai levar para a casa é uma enxaqueca ou uma indigestão. Os chamados filmes americanos de arte do século XXI conseguem ser mais chatos e indigestos do que uma aula de gramática da língua portuguesa sobre as Orações Subordinadas Substantivas Objetivas Diretas e Indiretas, independente de quem seja o professor. E os vencedores em Veneza e em Cannes, então?
Creio que o falecimento, em 2007, de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni tem um significado simbólico: a morte do cinema, da arte cinematográfica. Ora, morreram na década de 70: Visconti, Fitz Lang, Renoir, Rossellini e Pasolini; na década de 80, Welles, Hitchcock, Truffaut, Buñuel e Tarkovski; e, na década de 90, Kubrick, Fellini, David Lean e Kurosawa. Não quero agourar ninguém, mas depois que Godard, Resnais e Woody Allen morrerem, quem representará o cinema? Martin Scorsese? Francis Ford Coppola? Almodóvar ou Steven Spielberg? Não, nenhum desses é digno de representar a arte de Chaplin e Bergman. Diante disto, cabe a constatação: O cinema morreu, e foi a mesma burguesia que o criou que o matou! Quer dizer, não a mesma... Daquela nasceu o cinema, da de hoje não vale a pena enumerar um a um, seriam necessárias horas até que eu termine... E Eu já estou farto deste velório. Fica somente a saudade, assistindo, no meu DVD, a filmes como Aurora, A Doce Vida, A Regra do Jogo, Crepúsculo dos Deuses... O resto é silêncio.
REFERÊNCIAS
ADORNO, THEODOR & HORKHEIMER, MAX. A DIALÉTICA DO ESCLARECIMENTO. VERSÃO E-BOOK.
sábado, 19 de setembro de 2009
O CÂNONE DA SÉTIMA ARTE – PARTE V
Finalmente, os melhores filmes de acordo com o site os melhores filmes, que, a meu ver, é a melhor síntese das listas divulgadas por qualquer revista, site ou instituição, embora apresente, também, algumas incoerências. Eis o TOP 100:
1. Cidadão Kane (1941)
2. A Regra do Jogo (1939)
3. Um Corpo que Cai (1958)
4. 8 ½ (1963)
5. 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968)
6. O Poderoso Chefão 2 (1974)
7. O Encouraçado Potemkin (1925)
8. Cantando na Chuva (1952)
9. O Poderoso Chefão (1972)
10. Era uma vez em Tóquio (1953)
11. Os Sete Samurais (1954)
12. Rastros de Ódio (1956)
13. A Aventura (1960)
14. Ladrões de Bicicleta (1948)
15. O Martírio de Joana D’Arc (1928)
16. Lawrence da Arábia (1962)
17. Touro Indomável (1980)
18. Acossado (1959)
19. A Doce Vida (1960)
20. Quanto mais quente melhor (1959)
21. O Atalante (1934)
22. Luzes da Cidade (1931)
23. Aurora (1927)
24. Psicose (1960)
25. Rashomon (1950)
26. Doutor Fantástico (1964)
27. Casablanca (1942)
28. A General (1928)
29. Crepúsculo dos Deuses (1950)
30. Jules e Jim (1962)
31. Fanny & Alexander (1982)
32. Taxi Driver (1976)
33. Contos da Lua Vaga (1953)
34. Pacto de Sangue (1944)
35. A Marca da Maldade (1958)
36. Sindicato de Ladrões (1954)
37. A Canção da Estrada (1955)
38. Chinatown (1974)
39. Morangos Silvestres (1957)
40. A Grande Ilusão (1937)
41. O Boulevard do Crime (1945)
42. Ivan, o Terrível – Parte I (1944)
43. Apocalypse Now (1979)
44. Ouro e Maldição (1924)
45. A Grande Testemunha (1966)
46. O Sétimo Selo (1956)
47. Intriga Internacional (1959)
48. O Terceiro Homem (1949)
49. Em Busca do Ouro (1925)
50. O Tesouro de Sierra Madre (1948)
51. Soberba (1942)
52. O Desprezo (1963)
53. Metrópolis (1927)
54. A Lista de Schindler (1993)
55. A Palavra (1955)
56. Matar ou Morrer (1952)
57. Janela Indiscreta (1954)
58. Os Incompreendidos (1959)
59. Se meu Apartamento Falasse... (1960)
60. Guerra nas Estrelas (1977)
61. M, O Vampiro de Düsseldorf (1931)
62. Um Estranho no Ninho (1975)
63. O Conformista (1970)
64. Tempos Modernos (1936)
65. Amarcord (1974)
66. A Malvada (1950)
67. A Estrada da Vida (1954)
68. Andrei Rublev (1966)
69. A Ponte do Rio Kwai (1957)
70. Os Bons Companheiros (1990)
71. A Felicidade não se compra (1946)
72. Persona (1966)
73. Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994)
74. O Intendente Sansho (1954)
75. Viridiana (1961)
76. O Leopardo (1963)
77. Amadeus (1984)
78. A Batalha de Argel (1966)
79. Ran (1985)
80. Blade Runner, O Caçador de Andróides (1982)
81. Desencanto (1946)
82. Embriaguez de Sucesso (1957)
83. Relíquia Macabra (1941)
84. O Espelho (1975)
85. Napoleão (1927)
86. O Mágico de Oz (1939)
87. Onde Começa o Inferno (1959)
88. Laranja Mecânica (1971)
89. ... E o Vento Levou (1939)
90. Uma Aventura na África (1951)
91. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
92. Meu Ódio será sua Herança (1969)
93. ET – O Extraterrestre (1982)
94. Núpcias de Escândalo (1940)
95. As Oito Vítimas (1949)
96. Rocco e seus Irmãos (1960)
97. Aconteceu naquela Noite (1934)
98. Coronel Blimp – Vida e Morte (1943)
99. O Mensageiro do Diabo (1955)
100. Levada da Breca (1938)
Para visualizar a lista completa, acesse ao site: http://melhoresfilmes.com.br/filmes
1. Cidadão Kane (1941)
2. A Regra do Jogo (1939)
3. Um Corpo que Cai (1958)
4. 8 ½ (1963)
5. 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968)
6. O Poderoso Chefão 2 (1974)
7. O Encouraçado Potemkin (1925)
8. Cantando na Chuva (1952)
9. O Poderoso Chefão (1972)
10. Era uma vez em Tóquio (1953)
11. Os Sete Samurais (1954)
12. Rastros de Ódio (1956)
13. A Aventura (1960)
14. Ladrões de Bicicleta (1948)
15. O Martírio de Joana D’Arc (1928)
16. Lawrence da Arábia (1962)
17. Touro Indomável (1980)
18. Acossado (1959)
19. A Doce Vida (1960)
20. Quanto mais quente melhor (1959)
21. O Atalante (1934)
22. Luzes da Cidade (1931)
23. Aurora (1927)
24. Psicose (1960)
25. Rashomon (1950)
26. Doutor Fantástico (1964)
27. Casablanca (1942)
28. A General (1928)
29. Crepúsculo dos Deuses (1950)
30. Jules e Jim (1962)
31. Fanny & Alexander (1982)
32. Taxi Driver (1976)
33. Contos da Lua Vaga (1953)
34. Pacto de Sangue (1944)
35. A Marca da Maldade (1958)
36. Sindicato de Ladrões (1954)
37. A Canção da Estrada (1955)
38. Chinatown (1974)
39. Morangos Silvestres (1957)
40. A Grande Ilusão (1937)
41. O Boulevard do Crime (1945)
42. Ivan, o Terrível – Parte I (1944)
43. Apocalypse Now (1979)
44. Ouro e Maldição (1924)
45. A Grande Testemunha (1966)
46. O Sétimo Selo (1956)
47. Intriga Internacional (1959)
48. O Terceiro Homem (1949)
49. Em Busca do Ouro (1925)
50. O Tesouro de Sierra Madre (1948)
51. Soberba (1942)
52. O Desprezo (1963)
53. Metrópolis (1927)
54. A Lista de Schindler (1993)
55. A Palavra (1955)
56. Matar ou Morrer (1952)
57. Janela Indiscreta (1954)
58. Os Incompreendidos (1959)
59. Se meu Apartamento Falasse... (1960)
60. Guerra nas Estrelas (1977)
61. M, O Vampiro de Düsseldorf (1931)
62. Um Estranho no Ninho (1975)
63. O Conformista (1970)
64. Tempos Modernos (1936)
65. Amarcord (1974)
66. A Malvada (1950)
67. A Estrada da Vida (1954)
68. Andrei Rublev (1966)
69. A Ponte do Rio Kwai (1957)
70. Os Bons Companheiros (1990)
71. A Felicidade não se compra (1946)
72. Persona (1966)
73. Pulp Fiction – Tempo de Violência (1994)
74. O Intendente Sansho (1954)
75. Viridiana (1961)
76. O Leopardo (1963)
77. Amadeus (1984)
78. A Batalha de Argel (1966)
79. Ran (1985)
80. Blade Runner, O Caçador de Andróides (1982)
81. Desencanto (1946)
82. Embriaguez de Sucesso (1957)
83. Relíquia Macabra (1941)
84. O Espelho (1975)
85. Napoleão (1927)
86. O Mágico de Oz (1939)
87. Onde Começa o Inferno (1959)
88. Laranja Mecânica (1971)
89. ... E o Vento Levou (1939)
90. Uma Aventura na África (1951)
91. Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977)
92. Meu Ódio será sua Herança (1969)
93. ET – O Extraterrestre (1982)
94. Núpcias de Escândalo (1940)
95. As Oito Vítimas (1949)
96. Rocco e seus Irmãos (1960)
97. Aconteceu naquela Noite (1934)
98. Coronel Blimp – Vida e Morte (1943)
99. O Mensageiro do Diabo (1955)
100. Levada da Breca (1938)
Para visualizar a lista completa, acesse ao site: http://melhoresfilmes.com.br/filmes
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